A manutenção prolongada dos juros em patamar elevado não afeta apenas gráficos, projeções e relatórios de mercado. Ela mexe diretamente com o caixa das empresas, o fôlego das famílias e a capacidade de planejamento de quem empreende. Nesse cenário, um personagem ganha protagonismo silencioso, mas decisivo: o profissional da Contabilidade.
Se antes muitos empresários enxergavam o contador quase exclusivamente como alguém responsável por “entregar obrigações ao Fisco”, hoje esse papel vem sendo redefinido. Com o crédito mais caro, margens espremidas e consumo em desaceleração, o contador passou a ser estrategista financeiro, gestor de risco e consultor de sobrevivência.
Juros elevados encarecem o capital de giro, atrasam investimentos e tornam qualquer decisão financeira mais delicada. Pequenas e médias empresas, em especial, estão na linha de tiro: lidam com consumidores endividados, vendas mais fracas e bancos menos dispostos a negociar.
É nesse ponto que o contador deixa de ser visto apenas como custo obrigatório e passa a ser reconhecido como parceiro de negócio. É ele quem ajuda a responder perguntas práticas, que não aparecem nas atas do Banco Central, mas fazem toda diferença na realidade:
Além de interpretar números, o contador traduz o impacto das decisões macroeconômicas para o cotidiano das empresas, conectando Selic, inflação, carga tributária e desempenho real do negócio.
Com a economia andando mais devagar, cada vírgula do planejamento tributário pesa. Erros, atrasos ou escolhas equivocadas podem representar a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho.
O profissional da Contabilidade atua na frente:
Em um ambiente em que o crédito novo cresce menos, o contador ajuda a encontrar espaço dentro da própria operação: enxuga desperdícios, identifica oportunidades de ganho de eficiência e aponta riscos que talvez o empresário nem tivesse percebido.
O impacto dos juros altos não para nas empresas. Ele chega às famílias por meio de:
Cada vez mais, profissionais da Contabilidade têm sido procurados por pessoas físicas para:
Em tempos de incerteza, a lógica é simples: menos achismo, mais número na mesa.
Enquanto entidades empresariais criticam o custo do dinheiro e economistas debatem qual deveria ser a taxa “ideal” para equilibrar inflação e crescimento, o contador lida com a parte que não cabe nas projeções: a realidade viva de quem precisa pagar salário, fornecedor, aluguel e impostos em dia.
Diferentemente do debate abstrato, o profissional da Contabilidade trabalha com:
É um olhar técnico – e ao mesmo tempo profundamente humano – sobre empresas e famílias que não podem esperar o próximo ciclo econômico para voltar a respirar.
Se os juros altos desaceleram a economia, o trabalho do contador atua como uma espécie de amortecedor: reduz danos, evita decisões precipitadas e ajuda a preservar o que é mais valioso para qualquer negócio — continuidade.
No curto prazo, a taxa básica pode continuar elevada, o crédito pode seguir restrito e o consumo pode crescer pouco.
Mas, para muitos empreendedores e cidadãos, a diferença entre quebrar e resistir está na qualidade da orientação que recebem.
E, nesse ponto, o recado é claro:
em tempos de juros altos, o contador não é coadjuvante – é protagonista.
